
Gabriella Donati - 2°EM
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Olá, eu sou Ella!
Trago poesia para a minha realidade quando sinto em excesso; comecei a escrever há alguns anos, e junto do desenho, a arte é a minha forma de encontrar calma. Nunca fui um “prodígio” em algo, o que fiz sempre ficou apenas para mim. Contudo, hoje entendo que essa expressão é primordial pro equilíbrio entre o silêncio que explica e o silêncio que oprime, então despejo minhas emoções nos papéis. Gosto de dizer que ‘o que os rabiscos dos desenhos não traduzem, as letras conseguem, e vice versa’. Aqui deixo um dos meus poemas, chamado: Casa; pertencer.
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Beira solidão
Porém, veja, é apenas o fim da segurança que sentimos ao chover e não nos molharmos
Definitivamente, está em cinzas aos nossos pés
Sua culpa, não
Minha culpa, não
O tempo leva tudo
Eu pensei poder voltar para casa sempre que precisasse
O que é vivo, morre
O concreto perde sentido
E, por mais que pese a entender, o que desmorona jamais volta a ser como antes
Está bem, farei dos cacos eternos
Pois até o dia em que escureça pela última vez, estará dentro de mim
Viver é desvendar o tempo
Propósito é crescer lidando com o medo
Pouco importa onde pertenço
Lar está em memória, em cada cicatriz e história
E o carrego nos olhos
A dor, felicidade, histeria, drama e sofrimento
O que aprecio, o que amo
É morfológico, nada constante.
O poema nos leva a refletir sobre a impermanência da vida, do lar e do próprio pertencimento. Com uma narração sobre a sensação de solidão que surge após a perda de uma segurança, como a chuva que não nos molha, afirma que também passa, deixando lembranças. Há uma aceitação da transitoriedade de tudo, do tempo que leva tudo, e da impossibilidade de voltar ao passado. Mesmo assim, encontra força em transformar os cacos em algo eterno, carregando as cicatrizes e histórias como parte de si. Com uma visão de que o lar não é um lugar físico, o identifica como uma memória, uma soma de experiências, emoções e marcas. Portanto, traz uma reflexão sensível sobre o crescimento, o medo e a perda.


