A "moda" da consciência eco-ambiental na moda
- Ana Luysa Santos Dimas de Lima
- 26 de mar.
- 5 min de leitura
Marcas brasileiras como Catarina Mina, Arezzo, e a internacional Prada, utilizam de políticas mais éticas contra a crueldade.
O grupo italiano de luxo Prada (Prada, Miu Miu, Church's e Car shoe na época) anunciou em maio de 2019 o fim do uso de pele animal de caça em seus produtos a partir da coleção de primavera/verão de 2020.

A companhia estabeleceu um posicionamento claro contra o uso da pele de animais criados ou caçados para fins de comercialização, como vison (um pequeno mamífero semi-aquático) e raposas.

O pronunciamento foi dado em aliança com a Fur Free Alliance (FFU), uma organização internacional de proteção dos animais. A decisão começou a valer apenas em 2020, com proibição total de caça animais em seus designs novos.
Assim como o grupo Prada, a ética de uso mais sustentável de produtos animais se expandiu pelo mundo todo como uma forma de conscientização. Grandes marcas como Arezzo, Adidas, H&M e Longchamp procuram minimizar o impacto ambiental em suas peças resgatando couro da agroindústria da carne. De acordo com o AGFeed, 95% da indústria é dirigida para a carne, enquanto os outros 5% são vendidos para outras indústrias, como a moda. A Longchamp em seu FAQ disponibiliza algumas informações sobre a origem de seus produtos.
"As peles são utilizadas nas colecções Longchamp?"
"A Maison já não utiliza espécies exóticas ou espécies criadas para a produção de peles na confecção das suas coleções. A sua proteção, bem como a preservação da biodiversidade e das espécies em vias de extinção, são uma preocupação de Sophie Delafontaine, Diretora Artística, que proíbe agora a sua utilização nas colecções Longchamp. Os couros utilizados para fabricar os produtos Longchamp provêm exclusivamente de ovinos e bovinos, destinados principalmente ao consumo alimentar."
Apesar da prática certamente não abolicionista total da origem animal em suas peças, é possível indicar que as marcas estão tomando atitudes mais pensadas ao meio ambiente.
O movimento eco-friendly na indústria da moda, apesar de ter raízes nos anos 60 com os hippies, consolidou-se na época de 2000 e a partir de 2010 se popularizou com campanhas como "fashion revolution" em busca de um produto final mais sustentável e circular (com o second hand).
Catarina Mina e seu trabalho humanizado
Um exemplo de sustentabilidade - com o animal e com o ser humano -, Catarina Mina é uma marca brasileira fundada em 2010, no Ceará, pela diretora criativa e fundadora Celina Hissa apaixonada pela arte e cultura artesanal. Catarina Mina propõe uma politica eco-friendly (com nenhuma peça de couro animal), uma rede de produção feita 99% por mulheres artesãs e uma empresa selo B com valores bem estabelecidos no mercado.

O trabalho das artesãs - exclusivamente cearences -, é exposto no produto final, onde um QR code mostra a foto, nome, local e história de quem produziu a peça. Adotando uma ética de pacto global, a empresa se diz comprometida com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), sendo transparente sobre quem produz, o que elas tem direito e o que o consumidor está pagando.

Do Ceará ao SPFW (desfile SPFWN60 aos interessados), a marca conquistou um espaço vital na indústria da moda brasileira.
Quem consome Catarina Mina, consome propósito e responsabilidade social - e é isso que as marcas que adotam medidas sustentáveis fornecem ao consumidor. Afinal, moda é arte e política também, e quem consome se sente pertencente de alguma causa - ao contrário do fast fashion (moda rápida) que torna a moda acessível, porém que incentiva o consumo descartável e produz impactos ambientais e sociais negativos.
Diante disso, foi perguntado á aluna Sofia Vasco, do primeiro ano do ensino médio, emitiu sua opinião sobre as atitudes ativistas da marca.
Na minha opinião, as questões ativistas da Catarina Mina fazem a marca se destacar de um jeito muito raro no mercado da moda. Enquanto muitas marcas de luxo ainda focam quase exclusivamente em status, aparência e lucro rápido, a Catarina Mina escolhe um caminho mais responsável e, sinceramente, muito mais atual. Eles valorizam o trabalho das artesãs, pagam de forma justa e deixam claro quem realmente está por trás de cada peça. Isso cria um propósito que vai além de vender um produto: é sobre impacto social, sustentabilidade e respeito
Ela ressalta:
Enquanto muitas empresas constroem sua imagem em cima de marketing vazio e coleções que aceleram o consumo, a Catarina Mina escolhe desacelerar. Ela mostra quem produz, como produz e por que isso importa. O ativismo da marca aparece justamente aí: no esforço de tornar visível o que a indústria tenta esconder. Além disso, a recusa ao uso de couro animal e de materiais poluentes reforça uma consciência ambiental que falta em boa parte das marcas que continuam produzindo pela lógica “quanto mais, melhor”, sem considerar o impacto disso no planeta. Comparada as marcas que vendem glamour, mas não assumem compromissos reais, a Catarina Mina parece muito mais alinhada ao futuro. Ela representa uma moda que não precisa de ostentação para ter valor, porque o valor está no processo, nas pessoas e no impacto positivo que gera. Para mim, isso faz dela não só uma marca de moda, mas um exemplo de como empresas podem existir com propósito, ética e autenticidade num mercado ainda muito preso ao lucro acima de tudo.
A consciência do que se consume, como disse Sofia, é essencial, mas se torna um privilégio na hora da compra. Slow fashion (moda lenta) poderia ser o futuro da moda, contando com: uma sustentabilidade e ética sobre o processo de fabricação, qualidade e durabilidade da peça e a transparência sobre como se produz e quem a produz - porém é um movimento caro e inacessível para as massas.
A noção ética do que se consome, como vimos anteriormente, se tornou popularizada para aqueles que podem consumir o produto do slow fashion - mas isso não significa que todos não possam ter maior abertura para esse mundo do consumo sustentável. Como a cultura hippie no início da década de 60, uma opção para minimizar o consumismo desenfreado pode ser migrar para os brechós de segunda mão ou até mesmo para a o "faça você mesmo".

O essencial quando falamos dos princípios morais da moda é a compreensão de que ela move o planeta com arte, cultura única de uma comunidade e a política que ela carrega com si. Senso ético é indispensável em muitos ambientes, inclusive dentro do seu guarda-roupa.
Redatora: Ana Luysa Santos
Orientadora: Profa. Maria Aparecida
Site: Ana Luysa Santos e Natália Ribeiro
Instagram: Gabriela de Resende, Gabriele Stefani, Natália Ribeiro, Luiza Melim Enzo Figueira




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