Enchentes no Rio Grande do Sul e seus impactos na sociedade.
- Novo Ideal News

- 9 de mai. de 2024
- 7 min de leitura
Atualizado: 16 de mai. de 2024
As recentes chuvas intensas que assolaram o Rio Grande do Sul resultaram em uma grave situação de enchentes, afetando comunidades em várias regiões do estado. O aumento repentino do nível dos rios causou inundações, obrigando centenas de pessoas a deixarem suas casas em busca de abrigo seguro.
Municípios como Porto Alegre, Pelotas, Rio Grande e Santa Maria foram fortemente impactados pelas enchentes, com ruas transformadas em verdadeiros rios e casas e estabelecimentos comerciais submersos. As autoridades locais têm trabalhado incansavelmente para prestar assistência às famílias afetadas, coordenando operações de resgate e distribuindo alimentos, água potável e itens de primeira necessidade. Equipes de resgate, bombeiros e voluntários estão mobilizados para auxiliar no resgate de pessoas isoladas pelas águas e no transporte dos desabrigados para abrigos temporários. No entanto, as condições climáticas adversas têm dificultado os esforços de socorro, e o número de desabrigados continua a aumentar.
A tragédia das chuvas provocou até agora, quarta-feira (8), 128 desaparecidos, 372 feridos e chegou a 100 mortes. Mais de um 1,4 milhão de pessoas foram afetadas pelas chuvas, mais de 163 mil pessoas estão desalojadas e outras 66.761 foram acolhidas em abrigos. O governador Eduardo Leite confirmou que 131 pessoas estão desaparecidas e que pelo menos, 425 cidades foram afetadas, o que representa 85,5% do total de 497 cidades gaúchas.
Os dados acima foram confirmados pela Defesa Civil do estado. Outros quatro óbitos que podem ter relação com as chuvas estão sob investigação!

Além dos danos materiais, as enchentes também têm impactos significativos na infraestrutura, com estradas interditadas, pontes danificadas e sistemas de transporte público comprometidos. A situação requer uma resposta coordenada e urgente por parte das autoridades estaduais e municipais para conter os efeitos da tragédia e garantir a segurança e o bem-estar da população afetada. Mas a previsão é de que as enchentes continuem por, pelo menos, 20 dias na capital Porto Alegre, com o nível do Guaíba acima dos 4 metros até o final de semana, pelo menos. Com o sistema antienchente da cidade no limite, o escoamento da água deverá ser mais lento.
Em setembro de 2023, o Rio Grande do Sul já havia enfrentado enxurradas consideradas históricas, situação que se repetiria pouco tempo depois, em novembro.
Com o histórico de enxurradas e enchentes, vem uma série de perguntas: Por que os temporais da última semana foram tão severos? Por que está tão difícil conter as cheias históricas que se espalham pelo Rio Grande do Sul? Quais medidas estão sendo tomadas pelos governos Estadual e Federal, além do Legislativo, para dar conta de reconstruir o Estado? Por que essas chuvas normalmente se concentram no Sul do país? Vamos responder essas e mais perguntas a seguir:
O que explica o alto volume de chuvas na última semana?
Os fortes temporais que castigam o Rio Grande do Sul neste início de maio são provocados pela presença de uma massa de ar fria que vem do Sul (Argentina) e se estacionou sobre o estado gaúcho por causa da presença de uma massa de ar seco e quente, que se estabeleceu no Centro do Brasil. Como o ar quente tropical avança junto para Sul, forma-se uma combinação explosiva de umidade abundante com atmosfera muito aquecida, o que forma sucessivamente fortes a intensas áreas de instabilidade com volumes de chuva excessivos e temporais isolados com granizo e vendavais. Esse bloqueio atmosférico tem impedido a passagem da massa de ar fria, a região que fica abaixo dessa massa acaba sofrendo com a intensa instabilidade e com uma precipitação constante, explicam os meteorologistas da MetSul.
De acordo com os cálculos divulgados pela MetSul, o cenário, que já é crítico, tem grandes chances de se agravar. "O que já é grave vai piorar. O cenário que enxergamos, sem meias palavras, deve evoluir para extremamente grave. Várias cidades devem enfrentar situação de calamidade devido a desastres."
Por que alagou tanto?
Parte da chuva semi-estacionária aconteceu sobre a Serra e os Campos de Cima da Serra, regiões de nascentes de grandes rios do Estado, como Taquari e Caí, que também registraram cheias históricas.
Conforme o professor Fernando Mainardi Fan, pesquisador do Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a capital Porto Alegre também sofreu com as cheias do Guaíba por estar posicionada geograficamente abaixo de outras regiões e rios importante do Estado: “Então, sempre que dá uma grande chuva na região central ou noroeste do Rio Grande do Sul, essas águas descem em direção ao Guaíba, elevando os níveis”. Neste caso, aconteceram chuvas extremas na região central do Estado, o que fez com que os níveis se elevassem de forma muito acentuada no Guaíba.
Os motivos estruturais também explicam as cheias sem precedentes, como o rompimento de barragens, transbordamento de diques de proteção, e a incapacidade das bombas de sucção de realizarem todo o trabalho de escoamento da água. O sistema antienchente da capital gaúcha chegou ao limite, e uma das consequências dessa limitação é o refluxo de água pelos bueiros que também intensificam os alagamentos das vias.

Quais são os locais do estado mais afetados?
Os locais do estado mais afetados foram o centro-oeste do Rio Grande do Sul, o centro do estado, região de Santa Maria, região dos vales, o norte da Lagoa dos Patos, a Grande Porto Alegre, parte da Serra e o Litoral Norte. O estado de Santa Catarina também vem sendo atingido pelos temporais.
Habitantes de cidades turísticas, como Canela e Gramado, além de municípios como São Francisco de Paula, Nova Petrópolis, Vale Real e Feliz, tiveram que ser evacuados para buscar abrigos públicos longe da área de risco. Cidades gaúchas, como: Fontoura Xavier e Soledade, registraram em dois dias volume de chuva três vezes maior do que a média histórica do mês, conforme o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).
De acordo com o relatório, 425 das 497 cidades gaúchas foram afetadas pelas tempestades, o equivalente a 85,5% do total. Ou seja, somente 72 não tiveram nenhum impacto relacionado às chuvas.

O que tem sido feito para a reconstrução do Estado?
O governo do Rio Grande do Sul afirma que vai destinar R$ 117,7 milhões à reconstrução das estradas que foram destruídas pelos temporais que há uma semana atingem o Estado. Em balanço divulgado pela Defesa Civil nesta segunda, havia 102 trechos bloqueados em 58 rodovias, incluindo pontes.
No sábado (4), o governador Eduardo Leite (PSDB), afirmou que o território gaúcho precisa de “um Plano Marshall” de reconstrução. O mandatário descreveu ainda o cenário do Estado como “de guerra”, e pediu para que divergências políticas fossem colocadas de lado neste momento em prol do Rio Grande do Sul.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que esteve com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD), e com o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP), no Rio Grande do Sul neste final de semana (4), enviou nesta segunda um Projeto de Decreto Legislativo (PDL) para dar celeridade às ações do governo federal de assistência ao Estado gaúcho.
Rodrigo Pacheco (PSD) defendeu a criação de um “orçamento de guerra” e afirmou que é necessário diminuir a burocracia de autorização do uso de dinheiro público para destinar recursos para o Rio Grande do Sul.
A intenção do governo federal é ter uma linha de crédito subsidiada para os pequenos comerciantes e pequenos produtores rurais, com a possibilidade de refinanciamento de dívidas anteriores. O mesmo modelo foi feito nas enchentes de setembro do ano passado no Rio Grande do Sul, e várias pessoas atingidas pela cheia do ano passado ainda têm dívidas que contraíram para tentar recuperar seus negócios. Uma outra linha de crédito será criada para empresários de médio e grande porte, com mais condições de enfrentar a crise, está com um fundo garantidor, segundo Rui Costa (PT).
"Com o fundo conseguimos taxas muito menores do que no mercado", disse o ministro, Rui Costa.
Roubos e saqueamentos
A polícia registrou furtos e assaltos a mão armada em bairros alagados da capital, Porto Alegre. Cidades vizinhas de Canoas, São Leopoldo e Sapucaia do Sul também estão reféns dos crimes. Segundo relatos, os assaltantes estão usando motos aquáticas e se aproveitam da escuridão da cidade, que teve o fornecimento de energia elétrica suspenso, de acordo com o vistoriador Charles da Silva Pacheco, de 37 anos, em entrevista ao O Globo, "os bandidos também aproveitam o momento em que as pessoas saem de suas casas com pertences de valor, como dinheiro". Ele mora no bairro de Rio Branco, em Canoas, cidade vizinha da capital.
Esses relatos adicionaram insegurança ao trabalho de voluntários e medo aos moradores, que resistem em deixar suas casas pelo temor de furtos. Há relatos de ocorrências não só na capital, mas também em Canoas, Eldorado do Sul, Novo Hamburgo e São Leopoldo. O policiamento em pontos de socorro tem sido reforçado.
O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), pediu ao Ministério da Justiça mais homens da Força Nacional, e o seu efetivo no Estado deve ultrapassar 400. O governo federal também enviou agentes da Polícia Federal. Leite ainda concede férias e licenças de policiais, liberou horas extras e convocou militares da reserva para ampliar o patrulhamento nas cidades arrasadas pelos alagamentos.
“Manteremos a ordem no Estado e vamos prender e dar consequência para todos aqueles que usam um momento dramático como esse para aplicar golpes ou praticar crimes”, afirmou o governador, Eduardo Leite, à imprensa.
O secretário da Segurança Pública gaúcho, Sandro Caron, prometeu, em entrevista à Rádio Gaúcha, “prender todo mundo” que está praticando furtos, assaltos e arrombamentos. A Brigada Militar confirmou, até o momento, a prisão de 36 pessoas: 32 por tentativas de saques e roubos e quatro por suspeita de estupros em alojamentos.
Na manhã da quarta-feira (8), a Polícia Civil prendeu um homem em Viamão pelo estupro de uma menina de 6 anos que havia sido resgatada sem os pais. Voluntários pedem que pessoas que atuam nos locais de acolhimento dos desabrigados monitorem os banheiros 24 horas por dia e solicitam o reforço de segurança masculina nos locais.
Também há casos de outros distúrbios, como presos que tentaram formar facções dentro de um dos abrigos em Guaíba, controlando o acesso a banheiros e alimentos, segundo relato do prefeito do município, Marcelo Manata, ao ministro da Comunicação Social, Paulo Pimenta.
“Não é possível a gente assistir isso tudo calado. É preciso que tenha um reforço para poder de forma exemplar identificar e responsabilizar quem está cometendo crime, seja ele digital, seja ele no dia a dia”, disse Pimenta a repórteres.
Com todo esse cenário de calamidade, nosso jornal entrou em contato com dois gaúchos, que estão presenciando toda essa cena de caos e que se propuseram a contar um pouco de toda situação:
Katia Suchla - Em Porto Alegre
Você consegue explicar o que você sente vendo tudo isso que está acontecendo?
Tem algo nessa situação que te conforte?
O que você espera que aconteça depois dessa enchente com o Rio Grande do Sul?
Marinho Saldanha - Repórter UOL - Rio Grande do Sul
Você consegue explicar o que você sente vendo tudo isso que está acontecendo?
Após este ocorrido no Rio Grande do Sul, o que você acha que vai mudar?
Na sua visão, qual é a lição que o povo vai aprender com tudo isso que está acontecendo
Redatora: Bárbara Costa.
Repórteres: Bárbara Costa
Orientadora: Profa. Maria Aparecida.
Agradecimentos especiais: Katia Suchla e Marinho Saldanha
Site: Bárbara Carneiro
Instagram: Evelyn Branco




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