Guerra EUA x Irã
- Ana Luysa Santos Dimas de Lima
- 25 de mar.
- 4 min de leitura
No sábado do dia 28\02 os Estados Unidos da América, juntamente com Israel, coordenaram um ataque à capital do Irã, Teerã, sob pretexto de acabar com o programa nuclear do país.
O conflito em questão tem uma natureza muito delicada e até mesmo paradoxal em seu cerne, como será explicado mais adiante nesta matéria. Um ponto interessante para começar a análise é o motivo do ataque e seus envolvidos. O enriquecimento de urânio no país persa é oficialmente – por alegação da República Islâmica do Irã – para fins civis, todavia os EUA afirmam que tal prática teria como finalidade o uso bélico.
O risco nuclear é o centro do debate da invasão atualmente, mas o programa nuclear começou quando o país era uma monarquia, em 1957, com ajuda do então presidente dos Estados Unidos; após a Revolução Iraniana de 1979 a monarquia foi deposta e a figura do Aiatolá assumiu como autoridade, esse fato somado ao crescente senso antiamericano, principalmente – mas não se limitando a – os xiitas do país, passando a chamar o país americano de “Grande Satã”. Depois da revolução os cidadãos do país persa se viram em uma queda constante de liberdade, gerando muitas revoltas internas, fortemente suprimidas pelos militares e pela Guarda Revolucionária; o presidente Donald Trump afirmou em discurso que o ataque seria a chance da população “tomar o controle do governo”.


A repercussão internacional desse embate é tão delicada quanto todo o resto. Além de combater uma possível ameaça nuclear que financiava grupos terroristas, outro aspecto vem à tona quando analisamos o motivo dos Estados Unidos terem atacado o Irã: petróleo.
O país persa é um grande exportador dessa matéria-prima e atacar esse local estratégico, por si só, já ocasionaria aumento do preço dela e de seus derivados, mas como comprometeria o resto do Oriente Médio e essa região é responsável por boa parte do abastecimento de petróleo mundial.

Consequências
,Os desdobramentos possíveis dependem de como as potências que rivalizam com os EUA, em especial a China e a Rússia, reagirão econômica, militar e politicamente.
Mas inevitavelmente o conflito afetará o Brasil de forma econômica, subindo o preço dos produtos dentro do país, devido à alta no petróleo.
Nós, do jornal Novo Ideal News, entrevistamos algumas pessoas para descobrirmos suas opiniões sobre o conflito e quais hipóteses as pessoas têm sobre os desdobramentos. Entre os entrevistados estavam a coordenadora do ensino médio, alguns alunos, e membros do corpo docente.
Algumas pessoas, como a coordenadora pedagógica Priscila falaram sobre a questão humanista do conflito, as vidas que se perderam e as que se perderão, ela afirma almejar uma solução pacífica, afinal, nas palavras dela “Apesar de não tomar muitos lados por não ter um entendimento muito profundo a gente (sociedade) é contra a guerra”.
Outros como David, do 1°EM, posicionaram-se no cunho econômico e político da situação, o conflito de interesses, a inflação que isso ocasionará – já está ocasionando e a probabilidade do evento escalar para uma Terceira Guerra ele diz que “para isso acontecer seria necessária a entrada de uma potência de cada continente, então, uma da Europa (Alemanhã ou França), a China na Ásia, já tem os EUA da américa”.
Entrevistamos o professor Antônio Fonseca de Deus – mais conhecido como Tom –, que leciona geografia, filosofia, história, geopolítica e sociologia para o ensino fundamental e médio. Ele disse que nessas semanas em que a guerra perdura o cenário é imprevisível, uma vez que envolve um contexto político, militar e cultural muito amplo. Nesse jogo de poder as peças devem ser mexidas com muita cautela, Nas palavras dele:
“Você chegar no seu adversário muitas vezes não é por linhas diretas, numa linguagem bem simples. O cenário, hoje, deixa bem evidente quanto do PIB de um país é investido em armamento, os países que detém petróleo, que o mundo inteiro ainda se move pelo petróleo, sendo uma riqueza inestimável. Então o cenário de estratégia, obviamente, que vai mexer com a economia do mundo inteiro, com as compras no mercado, as relações internacionais.”
Ele também comenta sobre a delicada relação dos membros do BRICS – Irã, China, Rússia e Brasil, são países membros desta aliança política e econômica. A China, e toda a Ásia, dependem muito do petróleo proveniente do oriente médio, as inter relações atuais são muito complexas. Quando perguntado sobre outras consequências além da alta dos produtos e maior tensão entre as nações, o professor utilizou um termo filosófico “o cenário ainda está por vir”.
Uma fala que retrata o pensamento de muitas pessoas surgiu no decorrer da conversa, “[estou] sempre do lado da paz, muito embora para manter a paz seja necessário armamento. É contraditório, é dialético. Vejo o Donald Trump [por exemplo] promovendo a paz mas com ogiva nuclear.”


Redatora: Thatiana Donati
Orientadora: Profa. Maria Aparecida
Site: Ana Luysa Santos e Natália Ribeiro
Instagram: Gabriela Santos de Resende, Gabriele Santos Stefani, Natália Ribeiro, Luiza Melim e Enzo Figueira.




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