Impasse entre STF, TSE e Globo cancela debate presidencial e altera reta final das eleições
Emissora alegou "insegurança jurídica" após decisões de última hora sobre púlpitos vazios e inclusão de candidatos; candidatos trocam acusações sobre cancelamento.
A menos de 72 horas do primeiro turno, a TV Globo cancelou o debate presidencial que seria transmitido na noite desta quinta-feira (01 de outubro). A decisão inédita da emissora ocorreu após uma sucessão de decisões liminares do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que alteraram as regras de participação de candidatos e o formato do programa a poucas horas do início da transmissão. Em nota oficial, a Globo afirmou que as ordens judiciais geraram "insegurança jurídica" e inviabilizaram a realização do evento sob critérios técnicos e jornalísticos autônomos.
O vai e vem jurídico
O ministro Gilmar Mendes, do STF, determinou a inclusão do candidato Renan Santos (Missão) no debate, atendendo a um pedido que questionava os critérios de representatividade parlamentar. Simultaneamente, o ministro Kassio Nunes Marques, do TSE, assegurou a participação de Romeu Zema (Novo).
O estopim para o cancelamento definitivo, contudo, foi o veto da Justiça Eleitoral à exibição de púlpitos vazios. A emissora planejava manter o cenário com os lugares dos candidatos ausentes expostos, uma prática tradicional para evidenciar o não comparecimento do candidato. A Ministra do TSE, Estela Aranha, proibiu a dinâmica, gerando o argumento da emissora de que houve interferência direta na liberdade de imprensa e na linha editorial do canal.
O cancelamento do debate mais assistido da TV brasileira disparou uma crise política entre as campanhas, com candidatos culpando uns aos outros pelo desfecho


Impacto no eleitorado
Cientistas políticos e especialistas em direito eleitoral avaliam que o apagão do debate na TV aberta pode ter um peso decisivo na movimentação dos votos válidos nesta reta final. Historicamente, o debate da TV Globo funciona como o "último exame" para os eleitores indecisos.
Associações de defesa da liberdade de expressão também manifestaram preocupação com o modelo de intervenção do Judiciário nos critérios de edição e formatos de programas jornalísticos, reacendendo a discussão nacional sobre os limites da atuação das cortes eleitorais na mídia.
Redator(a): Gabrielle Santos,
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