Jhon Galliano na Zara?
- Ana Luysa Santos Dimas de Lima
- 22 de abr.
- 2 min de leitura
Atualizado: 23 de abr.
No mês passado (17 de março) o mundo da moda recebeu a notícia da parceria de 2 anos entre Jhon Galliano, ex-diretor criativo da Dior da década de 90 até 2011, com a maior rede de fast-fashion do mundo. O que um dos símbolos com o trabalho mais icônico da história da moda pretende fazer numa rede que está tão longe da elite e da alta costura?
De acordo com Galliano:
“Tenho revisitado alguns arquivos recentes da Zara”
Contou à Vogue durante a Paris Fashion Week.
“A ideia é reescrevê-los.”

Antes de tudo, por que Jhon Galliano saiu da Dior?
O decaimento de Galliano não é hoje. O jornal britânico The Sun divulgou imagens nas quais Galliano dizia "eu amo Hitler" e insultava clientes de um bar no bairro do Marais, em Paris. A grife, sob o comando do então presidente-executivo Sidney Toledano, repudiou veementemente as declarações, que contradiziam os valores da maison, e demitiu Galliano unilateralmente às vésperas do desfile de inverno 2011/2012 na Semana de Moda de Paris. Em uma tentativa de sustentar a sua defesa, a acessoria alegou que os comentários foram resultado de estresse extremo e vícios.
O útil ao agrádavel
A Zara há anos vem adotando um posicionamento de marca mais luxuoso e se transformando em um fast-fashion acima do padrão - o que é contraditório quando se é possível ver mais notícias de trabalho escravo e roupas compostas de puro plástico na vitrine de qualquer loja da rede sendo vendidas por metade ou mais de um salário mínimo. Além da fama da marca após o anúncio dessa collab, Galliano volta aos holofotes - mesmo com o seu histórico manchado. A rede de fast-fashion e o diretos executivo "sobem" numa hierarquia da moda e ofuscam todos os seus podres.
Gênio até 2011...
Galliano fez um trabalho invejável em seu tempo de trabalho na Dior, transformando os desfiles em teatros e a moda mais do que peça de roupas, em arte. Um de seus desfiles mais conhecidos e icônicos foi o Dior Primavera/Verão 1998, apresentado na ópera Garnier (coração de Paris), que foi um espetáculo extravagante inspirado na Marquesa Casati.


Mesmo com seu trabalho único da alta-costura, é impossível desvincular o autor da obra. Jhon Galliano se posicionou e fez referência ao nazismo e isso é inaceitável. Moda é política. Talvez a elite que compõe a indústria da moda esqueça, mas a história não esquece.

Redator(a): Ana Luysa Santos
Orientadora: Profa. Maria Aparecida
Site: Ana Luysa Santos e Natália Ribeiro
Instagram: Gabriela de Resende, Gabrielle Stefani, Natália Ribeiro, Luiza Melim e Enzo Figueira




Comentários