Novo Ideal Indica: Obsessão
Para entender a fundo como Obsessão retrata o egoísmo humano puro — o ato de pensar apenas em si mesmo —, precisamos olhar para pequenos detalhes que o diretor Curry Barker espalhou pelo roteiro.

O egoísmo disfarçado de “carência” e “vitimismo”
Muitas pessoas egoístas usam o próprio sofrimento ou a solidão como uma licença para machucar os outros. Bear faz exatamente isso.
A justificativa dele: Ele se sente invisível, sozinho e rejeitado pelo mundo. Na cabeça dele, fazer o pedido ao salgueiro não é uma maldade, é apenas uma "chance de ser feliz".
O erro cego: Ele foca tanto na própria carência que a mente dele apaga completamente o fato de que Nikki é uma pessoa real. Ele não se importa se ela já tinha planos, se ela gostava de outra pessoa ou se ela simplesmente não queria namorar ninguém. Para o egoísta, a dor dele é maior do que o direito de escolha de qualquer mulher.
A incapacidade de ouvir a vítima (o egocentrismo de Bear)
Uma das cenas mais perturbadoras ocorre quando a "Nikki Real" consegue quebrar o transe por alguns segundos. Ela chora desesperada, agarra Bear e implora: "Por favor, me ajuda, tem algo de errado comigo".
Como um homem egoísta reage a isso no mundo real? Ele ignora o sofrimento dela porque o estado atual dela o beneficia.
Bear vê o desespero dela, mas em vez de correr para um hospital, para a polícia ou confessar o que fez, ele escolhe o silêncio.
Ele prefere ver Nikki perder a sanidade mental e sofrer em transe do que abrir mão do privilégio de ter aquela mulher "apaixonada" por ele. O conforto dele vale mais do que a alma dela.
3. A falta de responsabilidade afetiva com terceiros
O egoísmo de quem pensa apenas em si mesmo sempre transborda e destrói as pessoas ao redor. Bear não destrói apenas Nikki; ele destrói seus melhores amigos, Ian e Sarah.
Os amigos percebem que Nikki está agindo como uma stalker perigosa e tentam alertar Bear. Eles se expõem ao perigo por ele.
Bear, mais uma vez pensando apenas no seu próprio umbigo e no medo de ser descoberto, esconde a verdade deles.
Na vida real, pessoas obcecadas por seus próprios dramas românticos ou interesses pessoais frequentemente usam os amigos como escudo emocional, ignorando os conselhos e o bem-estar de quem realmente se importa com elas. O resultado no filme é trágico: Ian e Sarah pagam com a vida pelo segredo egoísta de Bear.

A moral da história: O egoísmo é uma armadilha autodestrutiva
O filme entrega uma lição dura: quem pensa apenas em si mesmo, acaba terminando sozinho ou destruído. Bear queria o amor absoluto para preencher o seu vazio. Ele conseguiu, mas esse amor artificial era uma doença que acabou matando ele e condenando Nikki. O diretor nos mostra que o desejo de possuir alguém, sem se importar com o que a outra pessoa sente, não é romance; é um ato de violência psicológica que consome tudo ao redor.
Como funciona o Salgueiro dos Desejos?
A madeira não possui uma "vontade própria" maligna ou o desejo de fazer o mal. Ela funciona como uma espécie de gênio da lâmpada puramente literal e sem filtros morais.
O Ritual do Quebre e Peça: Para ativar a magia, a pessoa precisa segurar o pedaço de madeira, mentalizar o que quer e quebrá-lo.
A Falta de Contexto Emocional: A madeira apenas executa as palavras exatas ditas pelo usuário. Quando Bear pede para que Nikki o ame "mais do que qualquer pessoa no mundo", a magia do salgueiro não cria um amor saudável (que exige tempo e convivência). Ela simplesmente reprograma o cérebro de Nikki de forma violenta e instantânea para cumprir a ordem literal.
O detalhe crucial: sobrou um pedaço
Um ponto fundamental do roteiro é que Bear não quebrou o galho exatamente ao meio; sobrou uma parte da madeira.
Bear guardou esse pedaço restante dentro de casa, agindo mais uma vez de forma descuidada e egoísta, sem pensar no perigo.
É esse pedaço de madeira esquecido que a Nikki possuída encontra no terceiro ato do filme. Como a madeira ainda tinha energia mística para mais um pedido, ela a quebra no banheiro para forçar Bear a amá-la também, criando o transe que impede Bear de se salvar da overdose.
O Simbolismo da Madeira de Salgueiro
Na literatura e no folclore antigo, o salgueiro (Willow) é uma árvore historicamente associada a duas coisas: à lua (magia/ilusão) e ao luto/tristeza (daí o termo "salgueiro chorão").
No filme, a escolha dessa madeira é uma metáfora perfeita:
Flexível, mas perigosa: O salgueiro é uma madeira que verga muito antes de quebrar. Isso simboliza como a mente de Nikki foi "vergada" e distorcida pela obsessão antes de sua sanidade quebrar completamente.
A Ilusão do Desejo: Assim como os antigos mitos diziam que a magia do salgueiro criava ilusões, o amor que Bear conseguiu não era real. Era apenas uma casca vazia e assustadora.
Redator(a): Laura e Luara Gomes,
Orientadora: Profa. Maria Aparecida,
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