O que realmente deu origem ao dia 8 de março?
- Ana Luysa Santos Dimas de Lima
- 9 de mar.
- 3 min de leitura
Ontem, 08 de março, o dia internacional da mulher é com frequência celebrado com flores e campanhas publicitárias que exaltam a força feminina. São ações positivas e de agrado, mas é fundamental evidenciar a real luta por trás da data - uma história política, marcada por um movimento de poder popular, mobilização social e reivindicação dos direitos básicos.
Talvez, em uma consciência coletiva, tenha se difundido a ideia de que a principal ação que consolidou o Dia Internacional da Mulher foi o terrível incidente em uma fábrica têxtil em Nova York, em 1911. Embora a tragédia tenha se tornado um símbolo das condições precárias enfrentadas por mulheres trabalhadoras, ela não foi a origem da data, mas apenas parte de um movimento muito mais amplo de mobilizações femininas que já aconteciam em diversos países, muito além do contexto norte-americano.

Movimento crescente
A origem do Dia da Mulher está ligada ao movimento de trabalhadoras no início do século XX. Na época, mulheres que trabalhavam, principalmente em fábricas, enfrentavam jornadas extremamente longas, salários bem menores que os dos homens e condições de trabalho extremamente perigosas, não podendo ter o mesmo desempenho como em um ambiente estável. Em diversos países, começaram a surgir protestos organizados por mulheres que exigiam direitos trabalhistas, melhores condições de trabalho e participação política, especialmente o direito ao voto.
Mulheres já se mobilizaram em diferentes partes da Europa. No Reino Unido, sufragistas organizavam marchas e atos de desobediência civil exigindo o direito ao voto. Em países como Alemanha e França, mulheres ligadas ao movimento operário também promoviam reuniões e protestos por melhores condições de trabalho e participação política, mostrando que a luta feminina já ganhava força internacionalmente.
O André, que atua no colégio como professor de história e projeto de vida, contextualiza de forma breve em uma entrevista feita pelo jornal.
Quem propôs a data?
Foi nesse ambiente de intensa mobilização feminina que surgiu a proposta de criar um dia internacional dedicado à luta das mulheres. A ativista alemã feminista marxista Clara Zetkin apresentou essa ideia em 1910, durante uma conferência internacional de mulheres socialistas em Copenhague. A proposta era estabelecer uma data anual para mobilizações que reivindicassem direitos políticos, incluindo o sufrágio feminino. Sua proposta não buscava criar apenas uma comemoração simbólica, mas um momento de união política entre mulheres de diferentes países na defesa de direitos e igualdade.

1917: pão, paz e revolução
Em 8 de março de 1917 (23 de fevereiro no calendário juliano), em meio à escassez de alimentos, à crise econômica e ao desgaste provocado pela Primeira Guerra Mundial, centenas de milhares de mulheres russas saíram às ruas para protestar. Muitas delas eram trabalhadoras e esposas de soldados enviados para o front. As manifestações exigiam “pão e paz”, denunciando fortemente a fome e a continuidade da guerra. O protesto rapidamente se transformou em uma grande greve que mobilizou diferentes setores da sociedade e acabou desencadeando uma série de eventos que levariam à Revolução Russa de Fevereiro daquele mesmo ano.
Assim, durante a Segunda Conferência Internacional das Mulheres Socialistas, em Moscou, foi decidido oficializar o 8 de março como o Dia Internacional da Mulher, justamente em homenagem à Clara Zetkin, às manifestações e à luta das trabalhadoras russas de 1917. Muito mais tarde, a data ganhou reconhecimento global quando a ONU passou a celebrá-la oficialmente em 1975 - com uma diferença de quase 60 anos - sendo consagrado o Ano Internacional da Mulher.

Foram anos e anos de desenvolvimento para realmente essa data se tornar o que é hoje, consolidando mais significado e um chamado ainda maior para o reconhecimento dessa luta rica do movimento.
Hoje, é comum que o dia seja celebrado com flores , textos desejando um “feliz dia da mulher!” e encontros em família, mas também de se conscientizar de toda uma luta que envolve a data.
Redatora: Ana Luysa Santos Dimas de Lima
Orientadora: Profa. Maria Aparecida
Site: Ana Luysa Santos Dimas de Lima e Natália Ribeiro
Instagram: Gabriela Santos de Resende e Gabriele Santos Stefani




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