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Tenente-Coronel foi preso preventivamente na quarta-feira do dia 18 de março, indiciado por feminicídio

  • Foto do escritor: Ana Luysa Santos Dimas de Lima
    Ana Luysa Santos Dimas de Lima
  • há 1 dia
  • 2 min de leitura

Em 18 de março, a PM Gisele Alves de Santana, de 32 anos, foi encontrada morta no apartamento onde morava com seu marido, tenente-coronel Geraldo Neto. Inicialmente o caso foi tratado com um suicídio, a ocorrência evoluiu para um inquérito de feminicídio qualificado e fraude processual.



Entenda como foi de suicídio a feminicídio 


Está mudança ocorreu após a análise de  Laudos Periciais,  depoimentos, evidências extraídas de dispositivos eletrônicos e o histórico de relacionamento abusivo com o marido. 

As principais evidências que motivaram essa mudança incluem: marcas de agressão, dinâmica do disparo, estado do sangue da vítima, lacuna temporal, ausência de cartucho e posição da arma.



Os socorristas tiraram ainda uma foto da vítima com a arma na mão. O advogado da família de Gisele, José Miguel Silva Junior, explicou que tal posição - a arma bem encaixada na mão - é incomum em casos de suicídio.


Contradições Periciais Decisivas


A perícia técnica foi o divisor de águas no inquérito. Além da arma perfeitamente encaixada na mão da vítima, o que sugere uma cena montada (fraude processual), outros detalhes chamaram a atenção:


Vestígios de Luta: Foram encontradas escoriações no corpo de Gisele que não condizem com o ato de tirar a própria vida, indicando uma possível luta corporal antes do disparo.


O "Vácuo" Temporal: O intervalo entre o disparo ouvido por vizinhos e o acionamento do socorro pelo oficial não foi devidamente explicado, sugerindo que o tempo foi utilizado para alterar a cena do crime.


Manchas de Sangue: A análise dos respingos (pattern) indicou que a posição da vítima no momento do tiro era incompatível com um disparo efetuado por ela mesma.


O Histórico de Violência


Depoimentos de amigos e familiares revelaram que Gisele vivia um relacionamento marcado pelo controle e por ameaças. O histórico de violência doméstica, muitas vezes silenciado pela hierarquia militar, veio à tona através de mensagens recuperadas em dispositivos eletrônicos, onde a vítima expressava medo e o desejo de separação.


Repercussão Institucional e Expulsão

A Corregedoria da Polícia Militar abriu um Processo Administrativo Disciplinar (PAD). Caso seja condenado, Geraldo Rosa Neto enfrenta não apenas a pena de reclusão, mas a perda do posto e da patente, o que resultaria em sua expulsão definitiva da corporação. A defesa do tenente-coronel, por sua vez, mantém a tese de inocência e alega que as provas são circunstanciais.

Próximos Passos Judiciais

Com a decisão de torná-lo réu, o processo caminha para a fase de instrução, onde as testemunhas de acusação e defesa serão ouvidas. O foco agora reside na decisão de pronúncia, que determinará se o oficial irá a Júri Popular. A presença do CNJ no acompanhamento do caso é vista como um marco para evitar o corporativismo e garantir que o rigor da Lei Maria da Penha e do Feminicídio seja aplicado independentemente da patente do acusado.



Redator(a): Gabrielle Stefani

Orientadora: Profa. Maria Aparecida

Site: Ana Luysa Santos e Natália Ribeiro

Instagram: Gabriela de Resende, Gabrielle Stefani, Natália Ribeiro, Luiza Melim e Enzo Figueira

 
 
 

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