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A pressão por crescer rápido e a adultização infantil

  • Foto do escritor: Art Pichiliani
    Art Pichiliani
  • 3 de out. de 2025
  • 4 min de leitura

A adultização infantil é o processo pelo qual crianças são expostas precocemente a comportamentos, responsabilidades e expectativas da vida adulta, que não são apropriados para sua idade. Isso inclui o uso de roupas e maquiagens sexualizadas, acesso a conteúdos inadequados, pressão para parecer mais velho, além de assumir tarefas e papéis que deveriam ser apenas para adultos, como cuidar de irmãos ou ajudar financeiramente a família. 


Tendo em vista que esse amadurecimento infantil vem sendo abordado e questionado pelos pais das crianças, realizamos uma entrevista com professores e funcionários do colégio e perguntamos qual a opinião deles sobre esse assunto. O porteiro, Roberto, relatou que “Olha, é difícil de explicar, viu, porque no meu tempo, no meu tempo…digo no meu tempo porque eu já posso ser avô de vocês, no meu tempo não era assim não, sabe, era bem diferente, não tinha que ter essas coisas avançadas de hoje, tanto pro bem como pro mal, né? Então os pais têm que ficar de rédea curta ali, ficar bem esperto mesmo, porque assim, se soltar a rédea, a rua educa de um modo diferente”. Na sua fala, percebe-se o destaque para o impacto da ausência de limites e filtros parentais para o que a criança consome e vivencia, principalmente na internet.



A entrevistada Natália, professora de biologia, opinou que “Eu acredito que, assim, como mãe é muito triste, porque a infância, é, ela passa muito rápido, e é só uma vez. E você é mais adulto do que criança, né. Então eu acho que os pais precisam ter consciência e proteger seus filhos porque, apesar dos ganhos financeiros, não vale a pena você expor seu filho na internet desse jeito, né, fazer com que ele monetize conteúdos que não fazem, não condizem com a idade, eu acho uma coisa muito perigosa e negativa, porque lá na frente essa criança com certeza vai desenvolver algum problema psicológico em relação à infância que ela não teve”. Ela destaca, então, que esse amadurecimento tem um preço alto e pode levar à problemas de saúde mental, como ansiedade, depressão, baixa autoestima e etc. 


Além disso, o alerta se tornou muito mais grave devido às redes sociais e à essa exposição constante, como o relatado pela professora. Os vídeos divulgados nas plataformas digitais como Tik Tok, Youtube Shorts e Reels do Instagram, incentiva comportamentos, estilos de vida, corpos (geralmente distorcidos) e a compra de produtos que padronizam o padrão adulto. Esse consumo, portanto, se torna passivo pelo público infantil e constrói visões distorcidas da realidade adequada para determinada faixa etária. 


Questionamos, então, se eles achavam que orientar os filhos sobre os conteúdos que assistem na internet é importante e de que forma acreditam que a internet interfere nessa adultização. A funcionária Marcele disse: “eles são novos e eles ainda não têm noção do quanto pode ser arriscado, uma coisa que parece inofensiva e que está moldando, talvez, o caráter deles para uma coisa que futuramente vai fazer mal, pela facilidade do conteúdo, de tudo que aparece com muita facilidade, de uma forma inocente, como se fosse uma brincadeira. E por não ter maturidade, as crianças acabam não percebendo que estão sendo induzidas a visualizar uma coisa que não é para a idade deles”. Ou seja, ela analisa que a inocência deve ser preservada em determinados assuntos que são direcionados para o público adulto em geral. 


E a fim de entender mais sobre o assunto sob uma perspectiva sociológica do assunto, consultamos o professor Tom, de filosofia e geografia, que disse que “A gente tem noção do que é a mídia hoje. Ela é um mundo aberto e você não orientar seus filhos, é perigoso que a internet eduque de uma forma não considerável para os pais. Cuidado, né? É um cuidado que a gente tem que ter sempre. Chamar por que que tá assistindo isso. Além disso, pular algumas etapas…uma criança que começou a trabalhar desde cedo, ela não tem o prazer de convivência, com grupos, com diversão e entretenimento, ela pode ser uma criança totalmente fechada, fechada ao diálogo, porque só enxergou na frente a responsabilidade, fora do tempo, que se pede de uma criança, na transição do adolescente para o adulto. Então, não estou aqui defendendo nenhuma bandeira, mas eu creio que o capitalismo é selvagem, ele se ocupa de tudo e todos os meios que é necessário, que são necessários para ele angariar lucro, e não tenho certeza, o público e o infantil começando desde cedo a ter a ideia de só consumir e consumir, né, fora questões psicológicas também, né, questões psicológicas também, então eu acho que é um sistema muito sutil.” 


Portanto, proteger a infância é extremamente importante e é um dever da sociedade, da família. Garantir o direito de brincar, estabelecer limites, incentivar brinquedos e roupas adequadas, dialogar com a criança, são ações essenciais para evitar que haja uma adultização exacerbada. 


E aí, qual a sua opinião sobre esse assunto? Deixe um comentário para lermos!


Redatora: Isabela Heidecher Moreira

Orientadora: Profa. Maria Aparecida

Site: Isadora Ferreira Bizerra e Arthur Silva Pichiliani

Instagram: Julia Maria e Yasmin Garcia

 
 
 

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