Adeus Papa Francisco
- ISADORA FERREIRA BIZERRA
- 24 de abr. de 2025
- 7 min de leitura

Nesta segunda-feira (21/04), morreu aos 88 anos, Papa Francisco, o primeiro papa latino americano e jesuíta que já passou pela Igreja Católica. Às 7h35 da manhã (hora local. 2h35 de Brasília) foi anunciado o falecimento do papa em sua residência no Vaticano, Casa Santa Marta. Com tristeza o anúncio foi feito pelo cardeal Farrel:
"Caros irmãos e irmãs, é com profundo pesar que me cabe anunciar a morte de Sua Santidade Papa Francisco."
“O Bispo de Roma, Francisco, retornou à casa do Pai. Toda sua vida foi dedicada a servir ao Pai e Sua Igreja."
Segundo o Vaticano e a certidão médica, a morte foi causada por uma AVC cerebral, seguido de um colapso cardiocirculatório irreversível. O boletim médico informa que o quadro foi agravado por pneumonia bilateral, bronquiectasias múltiplas, hipertensão e diabetes tipo 2. A morte foi confirmada por um exame de eletrocardiograma.
Pouco tempo antes do óbito, o papa ficou internado de 14 de fevereiro a 23 de março no hospital Gemelli, em Roma, após sentir dificuldades para respirar durante vários dias.
Após 12 anos à frente da Igreja católica, o sucessor de Bento 16, nascido em Buenos Aires, Argentina, se tornou padre aos 32 anos, foi arcebispo em seu país, e se tornou o Papa Francisco aos 76 anos, em 2013.
Francisco foi considerado por alguns especialistas um papa moderno, próximo de causas sociais e sem medo de tocar em temas polêmicos para a tradição e os costumes católicos.
Período de luto
Assim que um papa morre são declarados nove dias de luto, sendo que o enterro acontece entre o 4° e 6° dia após a morte. O funeral é organizado pelo camerlengo, cargo ocupado atualmente por Kevin Farrell, que também organiza o conclave que escolhe o próximo papa.
Em um ato simbólico, o camerlengo quebra o "Anel do Pescador", o anel de sinete de ouro dos papas. No centro do anel, há uma gravura de São Pedro lançando sua rede de um barco e o nome do pontífice reinante está inscrito na borda, simbolizando a suspensão do poder pontifício. Este momento é chamado de "trono vazio". O poder dentro da igreja passa então às mãos do Sagrado Colégio dos Cardeais.
Funeral e enterro
Se tudo se mantiver de acordo com a sua vontade, será um enterro bem mais simples do que os antecessores. O rito vai ser encurtado e o corpo não passa mais pelo Palácio Apostólico, que Francisco já havia recusado em vida. Da capela da Casa Santa Marta, o caixão será levado diretamente para a Basílica de São Pedro na quarta-feira (23) cedo. Terá que ficar no chão da basílica e não mais em posição elevada. O corpo do papa não será mais exposto fora do caixão, onde o público poderá prestar as últimas homenagens.
Após isso sábado (26), às 10h, hora italiana, 5h em Brasília, o corpo de Francisco será levado para a praça São Pedro, onde será rezada uma missa de corpo presente. Seguindo para a basílica de Santa Maria Maior, lugar escolhido pelo líder religiosos para ser enterrado e descansar.
Reunião dos cardeais no vaticano
Os cardeais devem se reunir no Vaticano entre o 15º e o 20º dia após a morte do papa, onde ficarão em acomodações especiais enquanto as eleições acontecem. O número desses "cardeais eleitores" geralmente é limitado a 120, mas atualmente há 135 deles com condições para eleger o novo papa. Ao todo, há 252 cardeais em todo o mundo, mas aqueles com mais de 80 anos não têm permissão para votar. A votação requer uma maioria de dois terços e a votação continua até que isso seja alcançado. Se os cardeais não conseguirem chegar a um acordo sobre a pessoa a ser eleita, a votação é suspensa por um dia de oração e discussão antes de a votação começar novamente. Na reunião, todos eles, incluindo os aposentados, discutirão em segredo os méritos dos prováveis candidatos. Os encarregados pela coalizão têm duas semanas para forjar alianças, e acredita-se que os cardeais mais velhos, apesar de terem menos chances de se tornarem pontífices, reúnem maior poder de influência.

Conclave
A eleição do papa é feita em condições de segredo único. Os cardeais são trancados no Vaticano até chegarem em um acordo. O processo pode levar dias e é projetado para evitar que qualquer detalhe da votação venha à tona, durante ou após o conclave. Antes do início da votação na Capela Sistina, toda a área é verificada por especialistas em segurança para garantir que não haja microfones ou câmeras escondidas. Uma vez que o conclave tenha começado, os cardeais comem, votam e dormem em áreas fechadas até que um novo papa seja escolhido. Eles não têm permissão para contato com o mundo exterior, exceto em caso de emergência médica. Todos os rádios e aparelhos de televisão são removidos, jornais ou revistas não são permitidos e telefones celulares são proibidos. Toda essa equipe tem que fazer um juramento prometendo observar segredo perpétuo e se comprometer a não usar equipamento de gravação de som ou vídeo.
Rituais de votação
A votação é realizada na Capela Sistina. No dia em que o conclave começa, os cardeais celebram uma missa pela manhã antes de caminhar em procissão até a capela. Os cardeais têm a opção de realizar uma única votação na tarde do primeiro dia. A partir do segundo dia, duas votações são realizadas pela manhã e duas à tarde. A cédula é retangular. Impressas na metade superior, estão as palavras Eligio in Summum Pontificem ("Eu elejo como Sumo Pontífice"). Abaixo, há um espaço para o nome da pessoa escolhida. Os cardeais são instruídos a escrever o nome de uma forma que não os identifique e a dobrar o papel duas vezes.
Depois que todos os votos foram lançados, os papéis são misturados, contados e abertos. Conforme os papéis são contados, um dos escrutinadores chama os nomes dos cardeais que receberam votos. Ele perfura cada papel com uma agulha, através da palavra "Eligio", colocando todas as cédulas em um único fio. As cédulas são então queimadas – emitindo a fumaça visível para os espectadores do lado de fora, que tradicionalmente muda de preto para branco quando um novo papa é escolhido. O costume era adicionar palha úmida para tornar a fumaça preta, mas ao longo dos anos muitas vezes houve confusão sobre a cor da fumaça. Mais recentemente, um corante foi usado. Se uma segunda votação ocorrer imediatamente, as cédulas da primeira votação são colocadas de um lado e então queimadas junto às da segunda votação. O processo continua até que um candidato tenha alcançado a maioria necessária.

Anúncio do novo papa
Após a eleição do novo papa ser sinalizada pela fumaça branca subindo da chaminé da Capela Sistina, haverá um pequeno intervalo antes que sua identidade seja finalmente revelada ao mundo. Uma vez que um candidato tenha atingido a maioria necessária, ele é questionado: "Você aceita sua eleição canônica como Sumo Pontífice?"
Depois de dar seu consentimento, o novo papa é questionado: "Por qual nome você deseja ser chamado?"
Após isso ele escolhe um nome, os outros cardeais se aproximam do novo papa para fazer um ato de homenagem e obediência.
Então, da sacada da Basílica de São Pedro, o anúncio tradicional ecoará pela praça: Annuntio vobis gaudium magnum... habemus papam!: "Anuncio a vocês uma grande alegria... temos um papa!"
Seu nome é então revelado, e o pontífice recém-eleito fará sua primeira aparição pública.
Depois de dizer algumas palavras, o papa dará a bênção tradicional de Urbi et Orbi – "à cidade e ao mundo" – e um novo pontificado começa.

Possíveis sucessores de Papa Francisco
O jornal destaca os quatro principais, porém são 12 os mais cotados para a vaga.
Pietro Parolin (italiano) - 70 anos

Visto por muitos como favorito, Pietro foi secretário de Estado do Vaticano sob o pontificado de Francisco. Alguns o consideram mais inclinado a priorizar a diplomacia e uma visão global do que a pureza do dogma católico. Para seus críticos, isso é um problema; para seus apoiadores, uma virtude. Mas Parolin já criticou a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo no mundo, chamando de "uma derrota para a humanidade" o referendo histórico que aprovou a medida na Irlanda, em 2015.
Luis Antonio Gokim Tagle (filipino) - 67 anos

Tendo décadas de experiência pastoral, Luis pode se tornar o primeiro papa asiático. Com a Igreja Católica sendo muito influente nas Filipinas, onde cerca de 80% da população é católica, Tagle tem um forte apoio. Considerado moderado nos parâmetros da Igreja, já foi apelidado de "Francisco asiático" por seu compromisso com questões sociais e empatia com migrantes, características que o aproximavam do falecido papa. Tagle é contra o aborto, que classifica como "uma forma de assassinato", posição alinhada com a doutrina da Igreja, que considera que a vida começa na concepção. Também já se manifestou contra a eutanásia. Mas, em 2015, quando era arcebispo de Manila, defendeu uma reavaliação da postura "severa" da Igreja diante de pessoas LGBTQIA+, divorciadas e mães solo. Disse que esse rigor causou danos duradouros e deixou essas pessoas com a sensação de terem sido "marcadas", afirmando que cada indivíduo merece compaixão e respeito.
Peter Kodwo Appiah Turkson (ganesa) - 76 anos

Turkson ao ser escolhido pode ser o primeiro papa africano em 1,5 mil anos. Primeiro ganês a ser nomeado cardeal, ainda em 2003, por João Paulo 2º, Turkson já era cotado como papa no conclave de 2013. Na época, chegou a ser o favorito nas casas de apostas. Guitarrista e ex-integrante de uma banda de funk, é conhecido por sua presença energética. Como muitos cardeais africanos, tende ao conservadorismo. No entanto, se posicionou contra a criminalização de relações homoafetivas em países africanos, incluindo sua terra natal, Gana. Quando o Parlamento ganês debatia um projeto de lei que previa punições severas à população LGBTQIA+, Turkson afirmou que a homossexualidade não deveria ser tratada como crime. Em 2012, foi acusado de fazer previsões alarmistas sobre o avanço do islamismo na Europa durante uma conferência de bispos no Vaticano. Mais tarde, pediu desculpas.
Angelo Scola (italiano) - 83 anos

Com 83 anos, Scola ainda pode ser eleito, mesmo que a idade mínima para votar no conclave seja 80 anos. O ex-arcebispo de Milão era um dos favoritos em 2013, quando Francisco foi escolhido, mas acredita-se que ele tenha sido vítima do ditado que diz que quem entra no conclave como papa sai como cardeal. Seu nome voltou a circular antes do conclave por causa de um livro que ele está lançando sobre a velhice. O livro conta com um prefácio escrito pelo papa Francisco pouco antes de ser internado no hospital, no qual ele afirma que "a morte não é o fim de tudo, mas o começo de algo". As palavras de Francisco demonstra um afeto genuíno por Scola, mas o colégio de cardeais pode não considerar o foco na velhice como ideal para um novo papa.
Escrito por: Isadora Ferreira Bizerra
Orientadora: Profa. Maria Aparecida
Site: Isadora Ferreira Bizerra e Arthur Silva Pichiliani
Instagram: Julia Maria e Yasmin Garcia





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