O que você quer dizer com essa roupa?
A linha adjacente entre a estética - o "é só uma tiara"- e os movimentos políticos dentro do universo da moda.

Além de um conceito estético, o jeito em que nos vestimos diz - ao menos - metade sobre nós mesmos. Desde: a ida ao guarda roupa, o que tem dentro dele, a escolha do que ir á escola/trabalho até ao que você consome na redes sociais, é político.
O caso da deputada federal do Partido Liberal Júlia Zanatta virou pauta forte no Twitter e em outras redes. Além de seu posicionamento contra a escala 6x1 e o porte legal de armas, a catarinense usa uma coroa de flores que faz referência á antiga Liga das Moças Jovens do Partido Nazista - braço feminino da juventude Hitlerista que funcionava para doutrinar meninas de 10 a 18 anos com os ideais do Terceiro Reich.
Um adendo é que a identidade visual das propagandas do partido era construída tijolo por tijolo para trazer uma imagem gelada, simétrica e pura com um design de controle. O vermelho simbolizava o movimento e o "sangue ariano", o branco representava o nacionalismo, e o preto remetia à ideia de poder absoluto e à disciplina militar - o que quando analisado os uniformes, se torna claro.


A defesa que Júlia usa em suas redes é que se trata de uma tradição catarinense da cultura germânica, muito populares em festas típicas como a Oktoberfest - mas que em um ambiente político não é bem visto na maioria do espectro. O Felipe Neto fez um vídeo explicando e criticando a co-relação entre a coroa - que é usada no parlamento brasileiro mas não foi no parlamento europeu - e a apologia ao nazismo. Ele foi processado pela deputada por injúria e difamação, mas o caso acabou por ser negado com a justificativa dada pela juíza de "impedir o direito de manifestação do réu". Não apenas o seu jeito de vestir deportam a sua ideologia (mesmo com opiniões diversas sobre caso), mas também os seus posicionamentos acima de pautas importantes no Brasil.


Indo para a década de 70 aqui no Brasil, nos deparamos com o assassinato da estilista Zulu Angel: protestante contra a ditadura militar brasileira que, em setembro de 1971 - ano do sequestro, desaparecimento e, futuramente reconhecido, homícidio de Stuart Angel (seu filho) pelas autoridades - , fez um desfile como denúncia social para a Brasil e o exterior sobre o regime ditatorial e "as circunstâncias de prisão, tortura, morte e a ocultação do corpo de seu filho" - trecho retirado do site governamental do Estado de São Paulo "Memorial da Resistência" sobre Zuzu Angel.



As peças com manchas vermelhas e símbolos que
faziam referência aos militares não caíram bem ao Estado e, em 1976, foi morta em um "acidente" grave de carro que, apenas em 2025, foi classificado como um assassinato cometido pelo Estado de acordo com a nova lei (nº 601/2024) do Conselho Nacional da Justiça que, de acordo com o G1:
Determina que mortes de dissidentes políticos sejam registradas como não naturais e atribuídas ao Estado.
Artistas como Elis Regina, Chico Buarque, Gilberto Gil, Raul Seixas e entre outros fizeram a sua música contra o governo autoritário da época - Zuzu se destacando sendo mais uma artista que era protestante, porém na moda.
E se falamos moda, falamos de roupa. Você sabe de onde o seu fast-fashion veio? Eu também não sei. Falo mais sobre fast-fashion, políticas mais conscientes de marcas e a cadeia inteira que isso carrega em outra matéria aqui no Novo Ideal News (acesse aqui), mas adotar medidas mais conscientes na hora do consumo - sem desenfreamentos - e ver o que está por trás daquela peça de roupa é uma tomada de posição contra um mercado tão volátil e desumano - mas que continua seguindo com seus grandes monopólios. Roupa sem ser de puro plástico é inacessível para uma esmagadora maioria, por isso é uma opção democratizada consumida por opção inconsciente ou uma necessidade básica das massas. Apesar disso, é importante reconhecer que muitas empresas espalhadas pelo Brasil e mundo que fazem estragos ambientais e uso de mão de obra escrava para produzir a roupa trendy que vai durar 2 semanas na vitrine. Mas afinal, nenhum produto vindo do nosso sistema é por completo ético - é mais ou menos moral. Entender as raízes e os sistemas da indústria da moda te ajuda em seleções mais sensatas. A escolha diária sobre o que você veste também é um posicionamento.


Redator(a): Ana Luysa Santos,
Orientadora: Profa. Maria Aparecida,
Responsáveis pelo site: Ana Luysa Santos, Natália Ribeiro e Pedro Navarro,
Instagram: Gabrielle Stefani e Luiza Melim.


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